A Guro soltou-se nesta: hoops verdes clássicas cortadas por pinceladas de garatuja, como se alguém tivesse riscado a camisola a lápis de cera verde, ombros pretos com o mesmo efeito e, nas costas, a assinatura mais simpática da coleção, a mascote saloia de chapéu em marca de água gigante por baixo do 10. No peito, a heráldica e a economia da terra em dois selos: a cruz de Cristo coroada do escudo e a Lactifeita, os mestres queijeiros que patrocinam a equipa, com a sua montanha no logótipo. É a camisola de 2023/24 da 2ª Divisão da AF Lisboa, época de derbies saloios contra vizinhos como o Vila Franca do Rosário, e a segunda peça da coleção paga a queijo, depois do Paiva de Lamego, sinal de que em Portugal o futebol de aldeia e o leite andam de mãos dadas. Ao lado da do Livramento, forma o par perfeito de Mafra: duas aldeias, duas hoops, dois números 10, e a certeza de que o padrão desta coleção não precisa de estádios para ser levado a sério.